É por isso...

Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo". (Eduardo Galeano)

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

É preciso recomeçar a viagem

"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre." José Saramago


Cada vez que volto a esse texto de Saramago constato que é exatamente assim que sinto e penso. A cada volta busco fazer algo que me reporte ao passeio, seja rever fotos, ouvir músicas ou, como neste caso tentar resgatar momentos.

Assim que vi o panfleto/recordação de Nasca senti algo acontecendo com minha imaginação e, na volta, juntando materiais cabíveis dei forma ao pensamento. Tudo o que usei é material reciclado do meu estoque, até os detalhes que decoram os suportes (só estes comprados).

Além disso, realizei outro projeto pendente: fazer um tampo de mesa que também fosse um painel, para ao mesmo tempo estar guardado a espera de uso, mas sem ocupar espaço.

Depois de quase um mês de trabalho, finalmente hoje, sentei para contemplar o resultado e, confesso, fiquei feliz com o que vi.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Não deixe pra amanhã o que pode fazer hoje

Sexta feira, penúltimo dia de fevereiro. Este ano está voando... Um daqueles dias em que levanto com vontade de por ordem, terminar o que está começado, tirar do meio tudo que tem que ser feito. E não é pouco.


Nuvens escondem parcialmente o sol e deixam a brisa amena, especialmente na sombra das árvores. Levo tudo para o quintal e mãos à obra.


Lixar, limpar, um retoque aqui, outro ali, envernizar com spray – tem que ser ao ar livre – deixar secar.  Pronto: três peças saem da fila de espera e vão pra galeria das coisas inúteis que me dão grande prazer em fazer. É só.




quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Basta gostar e querer...

Com a autorização da proprietária, a querida amiga Patrícia, rsrsrs, posto a minha última produção confeccionada com materiais recolhidos por aí.

O intuito de fazê-lo é mostrar que muito se pode fazer com os resíduos descartados, de forma fácil e simples. Basta querer e gostar. 

Como já contei, a ação reciclar, dando novas formas e destinos ao "lixo", é, para mim, uma atividade muito prazerosa e, quando o trabalho já tem um receptor, torna-se deliciosa. 

É o caso desta mesinha, confeccionada com um carretel de fiação telefônica, que ganhei da Jussara, minha irmã, e estava à espera de um trato e um destino, que logo descobri ser a Patrícia.

Passei então a reunir os materiais de que dispunha em minha oficina, começando pelas 4 lajotas centrais e a partir daí, buscar elementos que combinassem com elas. Lembrei dos filtros de café, estocados há muito e vi que a cor combinava, para fazer a coluna e o pedestal. Comecei por aí.

Mas faltava a cerâmica para revestir o restante do tampo. Fique parada vários dias, até que lembrei de ter visto umas lajotas na frente de um estabelecimento comercial, durante minhas caminhadas. Fui até lá e eis que elas ainda me esperavam. Recolhi e uma delas, a bege, ficou perfeita para fazer os cacos do mosaico, permitindo ainda, conseguir pedacinhos suficientes das bordas, bem acabados para fazer o contorno da mesa. 

Para o acabamento, um pedaço de corda de sisal, queimada, que além do cimento marrom para o rejunte,  foram os únicos materiais comprados.

E, eis a mesa!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Caminhar faz bem, ao corpo e à alma


Faz tempo que não passo por aqui. Andei numa fase mais reflexiva do que criativa. Tenho produzido algumas coisas, mas o ânimo para sentar e mostrar estava em baixa.

Hoje, fazendo a caminhada como de costume, decidi inovar e partir para novos caminhos. Acho que era o meu radar acumulador que me guiava, rs. Deparei-me com uma caçamba, sim, a minha fonte de inspiração e eis que alguns artigos ali me chamaram a atenção.  Claro que recolhi, fotografei, no estado, para posteriormente ir noticiando as criações e restaurações.

Não, não se preocupem! Não sou uma acumuladora. Não tenho TOC. Apenas gosto e me faz feliz recuperar e criar a partir de coisas que dispensadas por seus donos, ainda têm potencial para se tornarem objetos úteis ou decorativos. Geralmente não guardo meus trabalhos, presenteio a quem por eles se interessa.




quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sem eira, só com beira

Domingo saiu na Revista da Folha um artigo da Vanessa Barbara, intitulado "As melhores caçambas da cidade", onde ela conta o que eu já sabia, elas estão, é claro, na região dos jardins. No artigo ela não menciona a Alameda Jaú, excelente garimpo, de onde ainda conservo algumas peças.

Não tão nobres, nem tão chiques, as caçambas dos bairros também têm o quê se aproveitar. Às vezes basta uma limpeza, outras alguns reparos, o que faz da peça recuperada um prazer maior.

Das últimas garimpagens, me restam 4 peças. Um rack de cerejeira maciça com rodinhas já substituídas, em fase de acabamento, o cavalete de pintor que sei, tem muita história pra contar. Ele que suportou durante anos, lindas obras de arte, estava mal tratado, sujo, desmontado, jogado no meio fio. A caixa e a casinha - prontas para serem adotadas.




A caixa, com seu interior subdividido e revestido de camurça é ideal para guardar bijuterias. Depois de lavar e lixar, troquei as dobradiças quebradas, pintei e para rematar colei na tampa um quebra cabeça que comprei e montei especialmente pra ela. Fugi à regra de só usar materiais reciclados, mas queria dar um toque especial nessa peça e confesso: já estava com saudades de montar um quebra cabeça, um dos meus hobbies. Esse de  500 mini peças com a paisagem da Capadócia.



Na casinha, enfeite de quarto de criança, depois de limpa, lixada e pintada com sobras de tinta branca, apliquei um fundo revestido de tecidos, retalhos do meu estoque e rematei com uma eira de cartão pintado de branco e perfurado. É uma casa pobre, não tem "eira", só "beira".  



segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Eis a caixa!

Estava, quebrada, suja, abandonada na caçamba, mas merecia um trato. 
Eis a caixa!


Tampa com revestimento de tecido aplicado com cola branca e acabamento de passamanaria.

Não são apenas "CAIXINHAS"



Meu pai, extremamente organizado em se tratando de sua oficina - "para cada serviço use a ferramenta adequada, faca de cozinha não é chave de fenda", recomendava sempre - separava todos os itens e guardava em latas, vidros e caixinhas. Estas, ele mesmo confeccionava com sobras de madeira. Rústicas, com várias imperfeições de superfície, mas sólidas.

Ao desmontar a oficina, doei muita coisa, porém ao ver aquelas caixinhas, sujas de pó e graxa de uma vida, mas montadas perfeitamente com todos os ângulos retos, senti o capricho de seu Walter naquelas peças e decidi fazer delas, em sua homenagem, pequenas obras de arte, dentro da minha parca capacidade.


Lavei-as com sabão e escova - resistiram, são de madeira maciça; preenchi as irregularidades da superfície com massa corrida, tratei com cola branca para fixar a massa e deixei rolar a imaginação para deixá-las como estão, usando apenas materiais disponíveis nas minhas sucatas, obedecendo a lição aprendida: "Nunca desperdiçar nada".