É por isso...

Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo". (Eduardo Galeano)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Todos os selos de uma vida

Fui obrigada a sentar-me aqui e escrever antes que a adrenalina me sufocasse. Eu fiz. Eu me surpreendi.

Não sou filatelista, nem me ligo no assunto, mas sempre considerei e admirei os selos, como obras de arte. Então, nunca joguei um selo fora. Guardei-os todos, com os pedacinhos dos respectivos envelopes e coloquei-os sempre no envelope que me acompanha, com certeza há mais de 40 anos. Sempre achei que um dia eles teriam uma utilidade artesanal.

Esta semana tive o insight para sua utilização e agora há pouco abri o envelope e despejei o conteúdo pela primeira vez.

 Não acreditei no que meus olhos viam, era tanto selo, mas tanto selo, que espalhei pelo chão, fotografei e ainda lá estão enquanto compartilho com meus leitores a surpresa diante do revelado.

Selos de várias épocas, comuns, sofisticados, vindo de vários estados e países. De contas a pagar, de notícias recebidas, de alegrias, tristezas, nem sei...

Enquanto espalhava-os para a indispensável foto, o coração acelerava e a mente cantava "Mensagem", música de Cícero Nunes e Aldo Cabral, sucesso que decolou na voz de Isaura Garcia, em 1959, e cuja interpretação magistral de Maria Bethânia, que mescla texto de Fernando Pessoa sempre me toca.

Também descobri que os selos do tempo que se colava com lambidas, soltam-se facilmente do papel, mas depois da invenção da cola branca, a coisa fica difícil...




Mensagem
Autores: Cícero Nunes – Aldo Cabral

Quando o carteiro chegou e o meu nome gritou
Com uma carta na mão
Ah! De surpresa, tão rude,
Nem sei como pude chegar ao portão

Lendo o envelope bonito,
O seu sobrescrito eu reconheci
A mesma caligrafia que me disse um dia
"Estou farto de ti"

Porém não tive coragem de abrir a mensagem
Porque, na incerteza, eu meditava
Dizia: "será de alegria, será de tristeza?"

Quanta verdade tristonha

Ou mentira risonha uma carta nos traz
E assim pensando, rasguei sua carta e queimei
Para não sofrer mais.


 "Todas as cartas de amor são ridículas,
Não seriam cartas de amor, se não fossem ridículas
Também escrevi, no meu tempo, cartas de amor como as outras, ridículas
As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas
Quem me dera o tempo em que eu escrevia, sem dar por isso, cartas de amor ridículas
Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas." (Fernando Pessoa)

Ouça  Mensagem


domingo, 4 de março de 2012

Nada se perde, nada cria, tudo se transforma...


Ontem à noite, como faço em todos os sábados, fui até o portão para acompanhar minhas irmãs e cunhado. Ainda bem que fui um pouco além do portão. Lá estava ela. Uma caçamba nova no pedaço.

A Ju, minha irmã mais nova, tentou me impedir, disse que isso já está se tornando TOC, mas quando  entrou no carro fui dar uma espiada e descobri  que ela pertence a uma casa em reforma e pelo conteúdo via-se que a reforma chega ao acabamento. A melhor parte, onde os entulhos constituem-se de materiais novos.

Encontrei um pedaço de barra metálica, ainda com o adesivo protetor, que no escuro, pareceu-me alumínio, mas na luz, percebi que não era. Torci para ser ferroso, a cabeça já fervia com a possibilidade de utilização imediata se o fosse. E era.

Depois de bem lavada e higienizada, transformou-se no mostruário dos meus ímãs de geladeira de ganchos que prendem as bananas ao suporte, no supercardo.




PS. Não é TOC (Transtorno da Obsessão Compulsiva), é apenas vontade de fazer arte sem ser criança.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

De certa forma é reciclagem...


Tenho uma amiga que tem uma loja de artefatos de madeira e MDF.

Trabalhava com o pai que era artesão e além da venda dos produtos in natura, construía, pintava, fazia reparos nas peças. Ele faleceu e, conversa vai, conversa vem, ela me contou que restaram diversas peças incompletas, quebradas ou por montar, trabalhos que ela sequer sonha fazer.


Porta Chaves

Outro dia, quando levei alguns trabalhos para deixar em consignação, ela mostrou-me aquele material, tristemente abandonado no fundo de caixas e gavetas. "Será que você daria um jeito nisso", perguntou.


Porta Toalhas

Não pensei meia vez, trouxe algmas peças, fiz os reparos necessários, dei o acabamento e hoje vou entregá-las, mas antes, posto aqui, atendendo ao pedido da Patrícia, que reclamou a falta de atualização neste blog. É total falta de tempo.


Porta Toalhas

Tudo se aproveita, basta um olhar observador, um pouco de criatividade e aquele monte de coisinhas que você junta e não sabe para que vai servir.

Mesa porta vaso em madeira com tampo em mosaico

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DICA DE HOJE: MARMORIZAÇÃO




Muitas vezes um móvel antigo envernizado é posto de lado por que o tampo estragou. Aquela mesa que ficou com marcas de calor, manchas de produtos derramados. É possível restaurar com uma boa lixada, um trato na madeira e nova aplicação de verniz.

Mas e se não for possível encontrar a tonalidade certa? Ou pior, e se houver desgastes, rachaduras, buracos nesse tampo? Será necessário preencher e aí, os remendos ficam à vista. Podemos encaminhar para um profissional em restauração, mas é um processo muito oneroso.



Nesse caso, faça como eu fiz, com os móveis que herdei da minha avó. Retire o verniz com thinner (use máscara e luvas); corrija as reentrâncias com massa corrida misturada com cola branca; depois de seco lixe bem.

Nas laterais, poderá pintar com esmalte sintético acetinado (usando um rolo de pintura pequeno - pincéis deixam marcas), com a cor de sua preferência.

Mas e o tampo? Precisa de um revestimento que suporte líquidos, calor, etc... Então, arme-se de coragem, e aplique a técnica da marmorização. Outro dia eu conto como se faz.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ARTE NO SESC SANTO AMARO


Sábado, dia 11 de fevereiro, conheci o SESC Santo Amaro.Como toda unidade do SESC, impecável. Espaço, lazer, beleza, arte, bom atendimento são lugares comuns.


Destaco aqui um pouco do que vi e curti.


A exposição da maquete lúdico-ilustrativa da região de Santo Amaro e adjacências, de 84m². A obra é o resultado da parceria entre o SESC Santo Amaro e o Centro Universitário SENAC e envolveu cerca de 500 alunos, entre jovens de 12 a 17 anos de escolas públicas e particulares, além de ONGs. Coordenados pelos artistas plásticos Gepp & Maia, a atividade foi elaborada entre agosto e dezembro de 2006.



Alguns pontos históricos, turísticos e comerciais de Santo Amaro, que fez 460 anos no último mês de janeiro, estão representados na maquete, tais como: Ponte Estaiada, estátua do Borba Gato, Shopping Interlagos e até a Messiânica, esta situada no extremo sul da cidade.

Outra obra do acervo do SESC exposta lá é “Cenas da Vida de Cristo” de mestre Molina, composta de figuras que se movimentam por meio de um maquinário rústico instalado na parte inferior, que faz com que os personagens fixados numa esteira de pano, circulem sobre uma base de cilindros de madeira dispostos de forma irregular produzindo o efeito do caminhar, entre outros.
Veja um pouco dessa obra no vídeo acima à direita.

Vale a pena visitar.

 Rua Amador Bueno, 505 – Santo Amaro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sem título nem comentários...

(ônibus da linha Jardim Ângela – Santa Cruz, 18h30min)

- Canseira, chuva, ônibus cheio, esse aperto e agora nem sacola pra carregar as compras a gente tem mais!

 - É, pra resolver isso, só metrô aqui pra zona sul.

- Eu não vou comprar sacola nenhuma! É só o que falta!

 - Que nada! Quando o metro chegar aqui, vai ter tanta gente, que vai lotar, como o ônibus.

- Tem umas bem baratinhas, procura que você acha.

- Mas o metro pelo menos anda depressa, não fica se arrastando no congestionamento.A gente chega logo...

- Como é que vou fazer? Colocar tudo junto: gelado  com pão, verdura com saco de arroz...

 - O metro tá atrasado décadas nesta cidade, não, séculos...

- Na casa onde eu trabalho eles mandam separar o lixo. Eu não separo nada, é uma trabalheira, junto tudo e jogo fora.

- Olha aí, parou tudo. Vou chegar no Ângela depois das 8 da noite de novo.